Páginas

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Spacepeacemakers


Há quem acredite que sempre alguém tem que ser prejudicado para que outro se beneficie. Não sei se podemos generalizar (aliás, sei sim, não podemos), mas a tese certamente se aplica ao que alguns chamam de “qualidade de vida”. Quero dizer que a “qualidade de vida” de alguns melhora em detrimento da de outros. E nesse sentido, ela é até desproporcional. A “felicidade” de apenas uma madame pode custar o estresse de muitos, por exemplo. Mas o ponto onde quero chegar é muito mais abrangente, fala de países e populações inteiras.

Nesse fim de semana, aconteceu a reunião da Commonwealth, a Comunidade Britânica, que teve na sua pauta a discussão sobre os problemas que pequenos países têm por causa da instabilidade climática, que provoca secas longas, por um lado, e enchentes, por outro. Essa instabilidade é fato decorrente, claro, do aquecimento global. A indignada observação de Tuilaepa Malielegaloi, primeiro-ministro de Samoa, é que países menores são os que menos poluem a atmosfera, mas são os mais prejudicados, devido à falta de estrutura de todos e à localização da maioria. É evidente que isso não se restringe aos países pequenos sob a Coroa Inglesa, mas trata de todas as outras nações nanicas. Segundo o líder samoano, essa é uma questão de direitos humanos. Ele tem toda razão!

A representação britânica que aproxima as causas dessas nações menores aos governos mundiais deve vestir a camisa (de juta e malva) sem migué. O intermédio com os Estados Unidos e com a China é crucial, afinal são eles os maiores poluidores, sendo que os xing-ling já afirmaram que só cumprem acordo ambiental se os americanos fizerem o mesmo. A questão econômica mais uma vez vem à frente da preservação do meio ambiente! Enquanto Obama fará qualquer coisa que o mantenha na Casa Branca até 2016, o governo chinês fará o que for necessário para manter o maior crescimento. Por aqui, fazemos nossa parte e aguardamos a conferência de mudança climática da ONU em 28 de novembro.



Sugestão sustentável do dia: troque os saquinhos plásticos do banheiro e da cozinha por sacolas de folha de bananeira ou folhas grandes de jornal. Não custa nada. E não vem dizer que é mais feio ou sei lá o quê. Deixa de frescura e ajuda o teu planeta.

Marvin Bessa 

sábado, 29 de outubro de 2011

Eu, meu amigo haitiano e o cosmopolitismo (Parte 2)

O que ele tem de tão diferente em sua essência que nos distancia?

Sim! - respondeu o estrangeiro, sorrindo como alguém que não absorve o calor e o humor de Manaus. Ao detectar o português imaturo de meu companheiro, perguntei quantos idiomas falava. Conversamos então mais de uma hora em espanhol, o que lhe provocou uma alegria provavelmente desencadeada pela minha atenção extra e incomum por aqui. Você é daqui? - indagou o Haitiano. Sí! - respondi em espanhol mostrando impaciência com seu português insistente e enrolado.

Ele revelara que no caminho da vinda para Manaus, tinha parado no Equador por 6 meses onde aprendeu a língua espanhola. Relatou que ele e seu grupo enfrentaram o frio forte do Equador e só depois vieram para Tabatinga. 

No momento, ele estava ali nas redondezas borbulhantes de Manaus para uma reunião no Shopping Center. Depois de um silêncio entre o brasileiro e o haitiano que conversavam em espanhol, fizera eu uma afirmação sincera, mas polêmica:

- Algumas pessoas aqui são contra a vinda de vocês. 

Com um sorriso desconfiado, ele perguntou inocentemente o porquê.

- Dizem que estão trazendo mais problemas, inclusive podendo ocupar as oportunidades de trabalho que são de amazonenses. - continuei.

Ainda com um olhar de desinformado, ele parecia não acreditar.

- Mas eu discordo sabe, acredito que todos tem a capacidade de disputar sua oportunidade no mercado de trabalho, só depende de cada um se qualificar...

O Haitiano voltou a rir como se tratasse minha informação com tamanho desdém, o que de certa forma me deixou menos constrangido. Ele afirmou que não sabia daquilo e reforçou o esforço e sofrimento pelo qual eles passaram e mostrou que Manaus era a nova chance da vida deles. Lembrou que nem todos que chegaram eram de bom caráter e se revelou bastante grato com o trabalho feito pela Paróquia São Sebastião do Padre Jelmino Costa na chegada de seu grupo.

Entre outros papos que foram de futebol até mulheres, conversamos como antigos amigos e pude perceber que julgar sem conhecer é uma armadilha. A questão humana sempre fala mais alto e isso foi o mais importante que extrai dessa experiência. Por outro lado, entendo que é algo novo para o povo do Amazonas, especialmente para Manaus, mas como alguns dizem que aqui é um lugar acolhedor, só o tempo mostrará. Costumo não me agradar com generalizações, principalmente relacionadas a costumes e opiniões, o que na minha cabeça se classifica como lenda urbana, mas repito, só o tempo mostrará.

A importância dessa história contada em primeira pessoa é para aproximar eu, você e o haitiano, e mostrar que algumas das citações contadas ao Haitiano foram passadas por pessoas respeitadas e de muito bagagem e conhecimento, mas que do meu ponto de vista se diminuíram por perderem o cuidado na comparação entre a terra e o homem. Afinal, cantamos uma música na direção de uma bandeira, beijamos um tecido verde e amarelo, juramos amor à pátria, um amor que de tão endeusado parece programado e planejado; fazemos tudo isso às vezes por questões de protocolo e ordem mas pensamos duas vezes em estender a mão a um ser humano por ser estrangeiro? O que ele tem de tão diferente em sua essência que nos distancia? Cultura, religião e idioma? Cor da pele? Por que temos um nacionalismo tão exagerado? Divisões e demarcações? Desigualdade social por questões abstratas? VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR NISSO? 

Kako Menezes




sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fina estampa a custo de insensatos corações



A mudança de postura do governo brasileiro a nível internacional, principalmente no que diz respeito à participação do país no FMI, é clara, aliás, claríssima. Antes países europeus injetavam quantidades exorbitantes de dinheiro no Fundo para ajudar a economia brasileira, na década de 90 e no início da última (sem contar com a época da ditadura). Nesse exato momento, o contrário acontece! Nosso país participou há algum tempo com 10 bilhões de dólares na arrecadação que visava a ajudar os países ainda em crise! Grécia, Portugal, Espanha e Itália são alguns deles. Observação: os quatro concederam “em outra vida” alguns montes de sua moeda como providência a deficitários, incluindo nossa Pereirã... digo, nosso Brasilzão!!!

Mas peraí, falando em Pereirão, nosso país se parece muito mesmo com a personagem de Lília Cabral, levando em conta as drásticas reviravoltas que aconteceram em ambas as vidas. A situação hoje é oposta a ponto de Dilma falar em aumentar a quantia “aplicada” no Fundo Monetário Internacional. Antes, éramos a jardineira da Mansão Branca e do Salão Europeu e, de quebra, engraxávamos o sapato italiano que o japonês calçava. Agora, somos a milionária!

Mas pra variar, existe mais um dilema rondando nossa política, levantado pela oposição: a presidenta põe em prática o tal aumento pra ajudar a economia mundial, o que mais tarde será, sem dúvida, bom pra a nossa, ou usa esses recursos pra investir na educação, na segurança, na saúde etc.? “Tanta gente pobre precisando de sustento básico no nosso país e a presidenta querendo dar dinheiro para os ricos? Não eram vocês que investiam na população brasileira já que o retorno é ciclicamente imediato, com mais gente saindo das camadas baixas da sociedade?”

O questionamento sobre o acréscimo nessa ajuda que já era considerável ainda é válido, com certeza!

Vem pra cá, Dilma, vem pra cá... E aí...? Você topannn ou não topannnn?


Marvin Bessa

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Os conservadores estão morrendo (Parte 3)

Religiosos versus Gays



A polêmica da homossexualidade é tão profunda porque diz respeito à moral do ser humano. A gigantesca maioria dos que não concordam é religiosa, que acredita no padrão de vida cristão (ou de outra doutrina), ou seja, tem alguns princípios básicos como absolutos e universais, por representarem a vontade de Deus.

A ideia desses, como bem sabemos, é a de que devemos viver conforme o desígnio divino. Pra tudo que se faz, se tem ou se é, há uma forma ideal. As coisas existem sob um objetivo e tudo o que se desvia dele é considerado imoral. Obviamente, a sexualidade está aí no meio.

Embora a possibilidade homossexual seja provavelmente mais presente no mundo pós-período Clássico da Grécia Antiga, é no Levítico, de Moisés, que encontramos a alusão bíblica ao sexo com o mesmo sexo. Desse mesmo lado, é compreensível o argumento do pastor Silas Malafaia de que o ataque não é contra o gay, mas contra a prática homossexual, porém lutar contra a opção íntima de milhares de pessoas me parece uma causa insustentável.

Nas palavras de outro cristão contemporâneo, “se Deus criou o homem com fisiologia X e a mulher com a Y, é porque foi um feito para o outro. E o ser humano, limitado à sua pequenez mental, que vai querer discordar do plano do Senhor em função de uma falha na sua socialização primária?” A conclusão que tiro é de que religiosos com tal postura vêem pessoas não-seguidoras dos seus preceitos como ignorantes e imaturos na fé, o que se acentua pela presunção da verdade, embutida no discurso de Cristo, e pelo conceito de santidade, bastante elaborado durante toda a obra paulina. Quer dizer, “quem não conhece ‘a verdade’ ou é pecador está inocentemente se dirigindo ao caminho largo que finda no camburão onde se despejará a ira vindoura.”

Sendo assim, Ricky Martin que prepare sua roupa de bombeiro!

CQC: Casamento gay

Marvin Bessa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ipismo, a arte de montar carros nacionais

Ministros Pimentel, da Indústria, Mântega, da Fazenda e Mercadante, da Tecnologia


Existe uma discussão interessantíssima no meio econômico brasileiro acerca do aumento do IPI (imposto sobre produtos industrializados) de automóveis estrangeiros. É melhor aumentá-lo para estimular o mercado nacional ou é melhor não fazer isso estimulando a concorrência entre produções nacionais e internacionais?

O STF analisou, no último dia 20, a Ação Direta de Inconstitucionalidade do decreto 7567 pedida pelo Democratas e a aprovou, com base no artigo 150, inciso III, da Constituição, prorrogando assim para 15 de dezembro a possibilidade de aplicação dos 37% prometidos pelo ministro Guido Mântega. Os defensores da causa se sustentavam pelo direito do tributado de não ser surpreendido por impostos repentinos, segundo o texto constitucional. Olha que direito interessante você tem como contribuinte!

O problema de tudo isso são os automóveis que já foram adquiridos desde o dia 15 de agosto com a consideração da porcentagem em questão. O que não vai faltar é gente pedindo dinheiro de volta das importadoras nas próximas semanas!

Enfim, para Mântega a medida é um sucesso. Diz ele que cerca de 5 bilhões de dólares já estão sendo investidos na produção nacional. O ministro só está se esquecendo das reclamações americanas, coreanas e japonesas frente à OMC e de alguns investidores estrangeiros que estão retirando seu capital desta produção para as de outros países (até um tanto estupidamente, levando em conta o crescimento do poder de consumo brasileiro). Como o governo não "pôde" baixar o tanto que deveria os juros que tornam esses produtos mais caros, o que seria bem menos burocrático, avante à indústria automobilística brasileira em detrimento do liberalismo total!


* São considerados nacionais automóveis com pelo menos 65% de fabricação nacional.

Marvin Bessa