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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bla bla bla



Não pense você que nos esquecemos do aniversário da cidade. Parabéns a Manaus pelos 342 anos! Poderíamos até ter aproveitado o rótulo de manauaras esclarecidos para aparecer um pouco mais. Mas é exatamente a ressaca pós-festa que me faz escrever sobre a nossa capital apenas um dia depois. É bom pra deixar o “ufanismo municipal” de lado um pouquinho só. O risco de ser antipatizado é o mesmo, mas como há quem entenda a causa da incessante crítica dos Índios por Acaso, a nossa chance maior é de receber aprovação (espero).

Nossa cidade merece muito mais que uma “super-ponte” para Iranduba e muito mais que sediar quatro ou cinco jogos da Copa. Manaus não precisa estar pronta para receber uma Copa do Mundo em 2014, mas precisa “ser” pronta para acomodar seus moradores, sejam paraenses, haitianos, coreanos ou peruanos (e até mesmo a minoria, manauara) e, por fim, receber gente pra qualquer evento em qualquer época (e que venha o Rock in Rio Negro 2021).

O problema é que quase tudo no Brasil tem mania de boi de carro mineiro: se não tiver alguém com ferrão pra cutucar, não anda. Dá pra notar como algumas cidades do interior paulista, por exemplo, precisam de um CQC pressionando pra ajeitar certos problemas. Me parece bem razoável também dizer que se não fossem denúncias de uma tal de Veja, alguns ministros da Dilma continuariam abrindo seus “Caixas Dois”. Essa é a questão, entende? Quanta coisa deixa de andar como deve, se não tiver ao menos uma pessoa incomodada e disposta a botar a boca no trombone (e que não ganha nada por isso, diga-se de passagem)?

Manaus não foge disso. O trânsito, por exemplo, dispensa comentários em quase toda a cidade. A necessidade de ajustes drásticos nas nossas ruas só não é mais clara nessa vida que a falta de noção do Rafinha Bastos!!! Minha desconfiança, que sempre se limitou à crítica, agora tange o pessimismo quando me pergunto se o Omar faria o anel viário que promete (do Distrito Industrial ao Eduardo Gomes) caso Belém fosse sede da Copa e não nós.

E preciso lembrar que temos uma passagem caríssima que faz um ganhador de salário mínimo gastar, agora, ¼ da sua renda com transporte?

Fora outros problemas (que serão assunto num próximo post) sobre os quais você já está cansado de ouvir e reclamar.

Temos inúmeras maravilhas na nossa terra, sem dúvida, e exatamente para não deixar que elas sejam ofuscadas pelas “pendências” do povo e para o povo manauara, que existem meios de questionar “isso que está aí” como este blog. 

Marvin Bessa

sábado, 22 de outubro de 2011

A linha tênue

Se vocês utilizaram o Facebook nos últimos dias, vocês com certeza viram uma imagem comparando o Rafinha Bastos ao Maluf. Se não viu, verá agora.

Primeiro, o comentário causador de toda a polêmica:

O que ocorreu foi o seguinte: a piadinha infeliz do comediante rendeu uma briga.  Mexer com quem tem dinheiro rende, no mínimo, em um processo. No caso dele, dois. Um por danos morais e outro por injúria. O segundo pode ainda levá-lo à cadeia por até três anos. Entendido isso, vamos a tal da imagem:


“BRASIL: País onde os humoristas são levados a sério, mas os políticos são levados na brincadeira”. É até engraçado ler isso em uma imagem editada para defender um humorista, não? Seriedade suficiente para algo que é conceituado como “uma brincadeira”.

É muito importante frisar que um erro não justifica o outro. Jamais poderia. Nossa política é imunda desde a época do cabresto! Todos sabem. Agora, imaginem se todos começassem a usar as pilantragens da nossa política como desculpa para qualquer “brincadeira de mau gosto”. Imaginem se todos os humoristas começassem a falar qualquer baboseira que viesse em suas cabeças sem pensar nas conseqüências. E nem me venham falar de liberdade de expressão. Não se trata de liberdade de expressão, trata-se de falta de respeito. A liberdade de expressão acaba a partir do momento que você ofende terceiros.

E essa não foi a primeira vez que o Sr. Humor-Ácido fez uma “piada de mau gosto”:

Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra c******. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço.”

Piada tem limite, sim. Não queria chegar ao ponto de falar “E se fosse com você?”, mas fica a dica.

Obs.: Percebam que nossa geração se tornou tão acomodada que um simples "Curtir" e "Compartilhar" no Facebook "ajuda" em um "prostesto".

Jess Freitas

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A pasta de Orlando e a cabeça de Muammar


Independentemente de qualquer coisa, mesmo que Orlando Silva seja corrupto e culpado de todas as acusações de desvios e propinas, é importantíssimo lembrar a personalidade que a presidenta Dilma Rousseff apresenta a cada vez que é testada durante todo esse primeiro ano de mandato, talvez um dos três mais movimentados politicamente que a República Democrática já teve*. Que que tem a ver uma coisa com a outra? Dilma será a nova representante do governo no Congresso para a discussão da Copa em lei.

Ela pode ter tido a ajuda de Lula para escolher seus ministros, mas certamente não conta com seus conselhos para tratar com eles. Definitivamente, ela tem personalidade. Ponto. Se isso basta para se fazer um resto de mandato bom é outra história.
              
Enfim, o fato é que o ministro de esporte, mesmo que continue no cargo, o que é muito difícil, não tem mais o poder e até certa autonomia que lhe eram conferidos desde o governo do “companheiro”.

Friso que as acusações vêm de efeito dominó. Da mesma forma, por exemplo, que começaram a se rebelar os anti-Khadafi por inspiração da onda de manifestações populares contra as ditaduras tunisiana e egípcia. Entenda a comparação: cinco ministros foram derrubados até agora. Existe melhor momento do que esse para tirar a pasta, que é uma das mais importantes dos próximos anos, das mãos do PC do B? Não estou insinuando absolutamente nada, apenas trata-se de uma teoria de conspiração plausível. No caso dos rebeldes líbios, deu certo. 




* O primeiro da democracia (1985) e o primeiro de Collor, pelo confisco, estão no páreo. 95, 99, 2003 e 2007 não têm nada demais. Minha opinião...

Marvin Bessa

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Os conservadores estão morrendo (Parte 2)

A crescente aceitação e a suposta normalidade


Imagine a seguinte situação: você chega em casa e sua filha ou irmã mais nova está assistindo, como sempre, a algum programinha adolescente na TV. Normal, sem problemas. Você fala com ela e tudo o mais até que percebe uma cena um tanto diferente na tela. Lá, um rapazinho afeminado conta para a sua melhor amiga que está a fim de um tal de Fernando Augusto. Que reação teria a menina na sua sala? Um: “Hã? QUE QUE É ISSO, MEU DEUS?!”; ou dois: “Aaaaaaai, que fofooooooo!”? 

O estranhamento à nova era em que entra gradativamente a sexualidade mundial não pode ser entendido como preconceito. Pelo amor de Deus, não estou dizendo que todo mundo será gay no futuro, mas apenas que a tendência é haver cada vez mais compreensão com eles. Se a garota disse “Hã? Que que é isso meu Deus?” ela não pode ser culpada por isso, claro. A possibilidade homossexual é nova na cultura (pelo menos pra maioria) e a aceitação dessa novidade não é adquirida tão facilmente, inclusive pela resistência que existe por parte de quem não entende tudo isso como normal.

E aqui entramos na questão da "normalidade". O que é ser normal? Existe um padrão social? Bom, existe. Ainda prevalece, por exemplo, aquele que é branco. Prevalece também aquele que é bonito. E por que não dizer que prevalece aquele que é hétero? Essa ideia de superioridade existe, não há como negar. Mas será que ela é correta? Particularmente, não acredito nisso.

Claro que a barreira com discriminados existe em função de choques culturais, mas quando a discussão entra no campo da moral passa a ofender quem quer que seja o alvo dessa exclusão. Será esse o eterno limite à tal aceitação? Esse será o tema de terça-feira que vem. Até lá!

Agora É Tarde - Passou na TV Parada Gay

Marvin Bessa

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fundamentalista é a mãe... ou vice-versa



Diversidade cultural e distúrbio psicológico são as únicas coisas que explicam (embora não justifiquem) um grupo de pessoas se organizarem política e militarmente para deter inúmeros habitantes de uma terra que supostamente lhe pertence. Falo isso por pura prática de eufemismo. Sabemos muito bem que a regra é matar, mesmo.

Bom, a paz não deveria estar sob condição da troca de interesses. E muito menos interesses religiosos! Na verdade, não dá nem pra identificar se a camuflagem é religiosa para fins políticos ou vice-versa. De qualquer forma, estou de acordo com os que julgam como “mal-aventurados” os fundamentalistas. Estes já deveriam ter ido para o saco! Eles é que são capazes de criar grupos terrorist... digo, partidos políticos extremistas.

O fundamentalismo é irracional. Sua filosofia é infundada e suas “proezas” são louvadas apenas por ignorantes. E olha que não falo só de muçulmanos. Existem muitos fundamentalistas cristãos. Quantos são os “crentes em Deus” que ousam dar ouvidos à sugestão de Simão Pedro sobre a Igreja “estar pronta para responder a qualquer que perguntar a razão da sua fé”? Quem sabe você é fundamentalista e nem sabe disso? Pessoas não costumam se perguntar por que acreditam no que acreditam, ou em quem acreditam.

Hamas, Fatah e Israel brigam por território, Al Qaeda quer acabar com o Ocidente e a guerra de homens parece então fazer a justiça de Alá. O cara não é deus? Então por que sujar as mãos de sangue? Tô começando a achar que na verdade o homem é o animal mais irracional: tem a inteligência e usa pra sua própria desgraça. Continuemos aqui sorrindo pra vida e ela há de nos mostrar como usar a sabedoria!


Comédia MTV - Israel versus Palestina

Marvin Bessa