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segunda-feira, 25 de abril de 2011

A beleza do "fato real"

Filmes baseados em histórias reais são sempre mais emocionantes e mais envolventes, não é? A ideia de assistir a uma história que de fato aconteceu é sempre mais atraente. Muitas vezes, mais esperançosa também. Bom, sem mais delongas, o filme desta segunda-feira é o excelente drama A Troca, dirigido pelo magnífico Clint Eastwood e estrelado por Angelina Jolie.


Angelina Jolie vive Christine Collins, uma senhora trabalhadora de classe média que vive em função de seu filho, Walter Collins (Gattlin Griffith). Um certo dia, ao retornar um pouco mais tarde de seu trabalho, Christine encontra sua casa vazia. Depois de procurar por um certo tempo e não encontrar seu filho, ela resolve pedir socorro à polícia, mas a resposta que obteve é que nada poderia ser feito até que se passassem 24 horas desde a hora em que o menino havia sumido. 

A polícia, LAPD (Los Angeles Police Department), na época, estava em grande descrédito, boa parte devido a um programa de rádio cujo locutor era o reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich). No programa, o reverendo relatava toda a incompetência e corrupção do departamento, além de toda violência causada pelo "Gun Squad" (Esquadrão Armado). Sendo assim, a LAPD decidiu fazer o possível para achar o pequeno Walter, visto que o reencontro de uma mãe com seu filho poderia melhorar a visão que a população tinha sobre o departamento policial. Seis meses depois de desaparecido, Christine é avisada que seu filho fora encontrado com vida e que ela deverá ir a seu encontro na estação de trem. 


No entanto, Christine logo percebe que o menino em questão não era seu filho, apesar de ele mesmo se identificar como Walter Collins. A polícia insistiu em dizer que aquele era seu filho, mas que ele havia sofrido algumas mudanças pelo longo tempo sem comida e bons tratos, mas a mãe era irredutível. Então, apelando para o lado psicológico abalado de Christine, a polícia a convenceu a levar o menino para que, com o tempo, ela perceba que aquele de fato é o seu filho desaparecido. Não aconteceu. Quanto mais o tempo passava, mais Christine notava diferenças entre o menino que a foi entregue e seu filho: Walter era mais alto, não era circuncidado e possuía um comportamento completamente diferente. Além disso, o "falso" Walter não foi capaz de reconhecer sua professora e seu lugar na classe e possuía uma arcada dentária diferente, como foi explicado pelo seu dentista à Christine. Não havia possibilidade daquele menino ser Walter Collins.

Tudo que a LAPD não queria naquele momento era uma controvérsia nestas dimensões, então, quando Christine voltou a afirmar que aquele menino não era seu filho, a polícia a envia para um hospital psiquiátrico sob o "Código 12" de internamento. O "Código 12" era referente a pessoas internadas por serem inconvenientes à polícia e Christine logo descobre que muitas das mulheres ali internadas também foram colocadas sob tais circunstâncias.

Enquanto isso, no Condado de Riverside, um menino canadense de nome Sanford Clark (Eddie Alderson) acusa seu tio, Gordon Northcott (Jason Butler Harner), de assassinar cerca de 20 crianças e de obrigá-lo a fazer parte da matança. Dentre várias fotos, o menino Sandford reconhece Walter como sendo um dos meninos aprisionados no galinheiro do Rancho Northcott, dando a entender que ele era um das crianças mortas. Ossos e restos são encontrados enterrados no rancho, assim como o machado usado para matar as crianças, o que reforçava a história contada por Sanford. A LAPD logo tentou manter a história fora da mídia até que tudo fosse esclarecido, mas isso não foi possível. Todas as informações possíveis estavam nos jornais no dia seguinte, inclusive os nomes das possíveis crianças vitimadas. Isso foi suficiente para que o reverendo Gustav reunisse um pequeno grupo e exigisse que Christine fosse retirada do hospital psiquiátrico, visto que ela não estava errada ao afirmar que seu filho continuava desaparecido.


Gordon Northcott

Christine sai do hospital psiquiátrico determinada a achar seu filho, pois ela não acredita que ele esteja morto. E também, além disso, sai determinada a lutar contra a distribuição de covardia por parte da LAPD, "libertando" todas as mulheres internadas sob o Código 12, por exemplo. O que acontece daí em diante cabe a vocês descobrir. Já compartilhei demais por hoje.

Reverendo Gustav e Christine

Há diversas coisas que poderiam ser retiradas desse filme para reflexão. Inúmeras. Logo de cara, eu poderia citar a corrupção por parte da polícia. No entanto, vale a pena tomar como assunto o orgulho por parte do capitão J.J. Jones (Jeffrey Donovan), responsável pelo caso Collins. O capitão estava tão certo de que seu trabalho em achar o garoto perdido já estava feito que ele sequer pôde abrir os olhos para perceber que havia falhado. Até pôde, mas preferiu por se fingir de cego. Preferiu acreditar que estava certo, mesmo quando tudo indicava o contrário. Não contente em apenas se reafirmar, o capitão ainda usou de seu poder de influência sobre alguns meios para provar para a população que ele estava certo. Assim, o tempo que o capitão perdera negando seu erro e buscando por justificativas um tanto absurdas para os problemas que lhe foram apresentados poderia ter sido usado em uma busca mais veemente, mais apurada. A relutância em assumir o erro junto com seu enorme orgulho fez com que sua carreira fosse empurrada água abaixo. "Mas errar é humano". Não nego. Pelo contrário, até concordo. Mas uma coisa é errar, outra é persistir no erro. Pior ainda é não assumir que errou por puro orgulho, soberba ou até arrogância. Não que ter orgulho seja errado, pois tudo depende de como você lida com isso. É importante manter o orgulho como uma forma de amor próprio e de evolução individual, mas não em excesso a ponto de beirar a vaidade, a ostentação e a soberba.


Obs.: Quem quiser ver fotos da verdadeira Christine Collins e de outros: link 1, link 2 e link 3.


Jess Freitas

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Banalização da Memória

Atualmente, percebemos na realização de eventos de qualquer caráter, a grande quantidade de máquinas fotográficas digitais. De todas as cores, marcas, qualidades; uma tecnologia incrementada periodicamente. O poder dos mega pixels já conquistou você. Mas não estou permitido intelectualmente para abordar tal tema tecnicamente. A minha percepção abre portas para minha reflexão. Como sempre, sobre os valores.

            Então, há cerca de dez anos atrás, o que eu não considero muito tempo, usávamos máquinas mais simples, cujo filme fotográfico depois de totalmente utilizado, colocávamos para o processo de revelação de fotos, eram etapas chatas, demoradas, e do ponto de vista tecnológico contemporâneo, extremamente ultrapassado. A Máquina Digital nos deu a oportunidade de capturar imagens impressionantes, filmar em alta definição, cores vivas e etc. Ademais, demandamos outra funcionalidade ao obter esse produto: a oportunidade de capturar várias fotos! Por que tanta ênfase para uma função óbvia? Porque é esta função que é o coração da tecnologia digital, ela que diferencia dentre tantas outras vantagens, apresentando uma disparidade inquestionável.

Oriundo desta inovação, existe uma banalidade. Antigamente, ao "tirar uma foto" (ou retrato, segundo nossas avós), valorizávamos aquele momento, registrávamos como um acontecimento a ser guardado para sempre, materializávamos a memória. Sim e daí? E daí nada, É ISSO AÍ.


Cabe a todos refletir e interpretar tal comparação. Mas eu vou esclarecer mais um pouco. Nada melhor que exemplos. Outro dia estava em um casamento e diante de um cenário repleto de harmonia, cuja percepção é mais apurada aos olhares femininos, todavia tenho tal sensibilidade que não afasta minha masculinidade incontestável (qualquer dúvidas, vide minha amada), percebi a presença inconveniente de flashes intermináveis, que sob o consentimento dos "contrayentes", ou seja: os noivos, espalham com cliques, possibilidades de obtenção de imagens ideais. Consegui contabilizar a ação de mais de cinco fotógrafos para uma mesma foto. Um ato desnecessário e exagerado em minha opinião, que atrapalha a celebração, irrita pessoas com  a percepção como a minha e de um ponto de vista religioso, não é compatível com o momento, visto que prezam por silêncio, reflexão e entendimento da situação.


E esse tipo de situação não se limita a casamentos, mas já presenciei outros momentos religiosos que "cobertos" por esse grupo de profissionais não pude obter a minha fotografia mental, que em minha opinião, é a mais valiosa: a máquina fotográfica chamada memória, ela registrará tal momento, reagirá com as emoções humanas e tem um HD que se conservado sob boas temperaturas, é infinito. Somente conseguimos obter imagens por cabeça própria sem a presença das máquinas escangalhadas e insaciáveis.

Não podemos perder a essência desses eventos, não podemos desvalorizar o significado que ela nos traz. Não podemos deixar os registros sob a custódia de tais objetos. Não peço a extinção de tal profissão, que sim, tem espaço nesses eventos por serem qualificados e preparados, mas apelo pela conscientização das pessoas que demandam desse trabalho, pois sem o aval dessas, é impossível a consideração e o equilíbrio para que a harmonia percebida em tais momentos ultrapasse a questão momentânea, e atribua conhecimento às pessoas presentes, descartando o papel delas de mero espectador.

Kako Menezes

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Eaí galera, viajaram comigo? Pois é, para quem é cristão e não pára de lutar, hoje é um dia de parar e refletir sobre o sofrimento que Jesus Cristo passou para nos salvar, pois é, se você não consegue sentir a dimensão do problema, imagine alguém pregando sua mão junto à um pedaço de madeira nada leve. Pois é, ele salvou você e cuida de você. Independente de sua opinião sobre ele.

Para os que não são e não estão nem aí para a Páscoa, pelo menos saúdam o dia 23 de Abril, dia mundial do Escoteiro, dia mundial do livro e dos direitos do autor e o dia do choro (estilo musical). 

Grande abraço e até a próxima sexta!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ética, Moral e o Brasil!


Ética



O conceito básico de Ética vem do Grego Ethos que significa: modo de ser, caráter e costume. Podendo ser interpretado também levando em conta o ponto de vista grego como a morada do homem, a Ética é tudo aquilo que dá proteção e segurança aos indivíduos, que são os responsáveis pelos acontecimentos da polis (cidade). Ela se origina de leis fundadas nos hábitos que são fruto do caráter particular dos indivíduos. Mas sabemos que existem influências internas e externas que são fatores que possibilitam determinar a conduta do individuo. Já a justiça é formada pelo respeito as leis a da conduta individual de cada pessoa. Mas a boa conduta pode ser fruto de uma educação, fornecendo as regras e ensinamentos morais, orienta juízos e decisões dos homens no seio da comunidade, transmite os valores acerca do bem e do mal, do justo e do injusto e constitui-se como elemento fundamental para a construção da sociabilidade.

A educação se apresenta para manter a base do indivíduo e fazer com que ele seja um homem bom e cidadão exemplar. O direcionamento moral do homem serve de elemento complementar para a construção do cidadão no dimensionamento político. A função do ethos é promover a excelência moral, ou seja, a prática das virtudes.

A ética refere-se ao comportamento do individuo, da ligação entre o que ele deseja e o dever de cumprir uma norma, do que é o bem e de onde vem o mal, do que é correto e de tudo que não é correto, de sua liberdade e da obrigação e necessidade de respeitar o próximo. Ela mostra que tudo o que fazemos têm reflexo na sociedade e que cada homem deve ser livre e responsável por suas ações.


Moral



Moral mostra-se como o conjunto de regras, princípios e valores que determinam a conduta do individuo. Podendo ser instrumento básico para o estabelecimento de um viver em conjunto, sendo elemento fundamental para a edificação do mundo político.

O desenvolvimento moral de uma sociedade, assim como o relacionado ao individuo, não depende somente do interesse coletivo, mas também da vontade de cada um. A moral se modifica de acordo com as sociedades, a história e a cultura.

A moral determina-se como o elemento fundamental para a prática das virtudes e o exercício da cidadania e do respeito aos direitos. É o que condiciona a vida dos valores e da liberdade, responsabilidade, justiça, solidariedade, respeito e entendimento mútuo.

Relação entre Ética & Moral



Apesar de se completarem Ética e Moral se distinguem, pois, a Ética é a reflexão sobre o bem, a justiça, o que é certo e o que é errado. Já a Moral refere-se às nossas ações e condutas perante todos no mundo. A responsabilidade moral pede e necessita que do homem que ele tome decisões de forma livre e autônoma. A Ética é a reflexão do homem e a Moral é como ele age.



Política, Ética e Moral



Encontrei-me absorto ao escrever este post, pois, levei em conta uma reflexão sobre a Ética e a Moral envolvendo a política brasileira ou até mesmo a falta dela, mas refletindo como já havia comentado antes lembrei que Ética é o caráter o modo de ser do homem e a Moral é o conjunto de regras que estimulam a conduta do mesmo. Levando em consideração estes conceitos básicos a respeito desses fatores fundamentais na formação da personalidade dos homens observando também que Ética e Moral se complementam sendo uma as regras impostas e seguidas e a outra os costumes de uma sociedade, o que dizer do comportamento da maioria dos políticos brasileiros. Falando do reajuste salarial de nossos Senadores e Deputados, levando em conta o reajuste do salário mínimo. O reajuste foi de 62% nos seus próprios salários de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice-presidente e dos ministros de Estado. O aumento salarial provocou um efeito cascata nas assembléias Legislativas dos Estados e nas Câmaras Municipais. E infelizmente quando eu falo de maioria não falo de 60% de corruptos e 40% de honestos, eu falo de 99,9% dos políticos corrompidos e 0,01% de políticos comprometidos com o desenvolvimento da infraestrutura física e intelectual do país e da população. É uma maioria massacrante, nós sabemos, mas voltando ao pensamento sobre à ética e a moral, e como já mencionado de sua importância no comportamento social, e o fato da corrupção já ter se tornado um costume na política brasileira. Quem está faltando com a ética? Nós ou os políticos corruptos?  Todos nós? Ou nenhum de nós?

Se levarmos isso para o lado superficial de Ética e Moral a resposta é obvia e todos responderão a mesma coisa, façam essa reflexão comigo e cheguem às suas próprias conclusões a respeito disso! Mas reflitam também que não são somente os políticos que se corrompem, lembrem-se daquelas pessoas que gostam de dar o “jeitinho brasileiro” e que nos abordam com aquelas famosas indagações: ”você não pode quebrar o meu galho cara?”,“só dessa vez, parceiro”, “me ajuda aí, que eu te ajudo, compadre!”. Com isso, podemos ver que a sociedade brasileira encontra-se em um estado lastimável mas, segundo os conceitos básicos de Ética e Moral, está cumprindo com os mesmos, já que isso virou hábito e regra.


Japa Ramos

  

terça-feira, 19 de abril de 2011

Discursando socraticamente no baile dos hipopótamos




Todos os políticos praticam a política? Embora eles vivam dela, ela vive deles (ou seja, ela só pode ser praticada por eles)? Porque se praticar política é promover o bem social, eu não poderia ser um praticante da fulana de tal? Além de “organização do governo”, quais os outros significados de política? Não seria também “projeto feito para algum tipo de mudança social”? Mas o que é projeto? Seria programa planejado para melhora ou alcance de certo objetivo? E o que é mudança social? Seria a mudança de hábitos? A mudança de costumes? A mudança do que se entende por ordem? A mudança do que se entende por sistema? Ou mudanças mais simples de algumas coisas que ainda não permitem a vida tranqüila das pessoas? De que pessoas estamos falando? Estamos falando de todas as pessoas?

Será que vivemos “bem” nossas vidas às custas do “não viver bem” de outras pessoas? Esse pensamento é exageradamente negativo? Ou esse último é que é sinal de acomodação?

A tal mudança do sistema é necessária? Se é necessária, será possível? Já existe o regime político-econômico ideal? O que poderia ser feito pra colocá-lo em prática? Que “armas” se poderia usar? Apenas com mobilização de uma massa revoltada não acomodada (que por sinal, não existe)? Golpes de Estado? Será necessário? Será possível?

Entendendo que uma transformação substancial mesmo só a partir de uma mega-revolução, será que não existem outras maneiras menos complexas de serem botadas em prática? Ou será que esse pensamento já faz de mim parte do grupo internacional de acomodados? A quebra da tal acomodação significa acreditar e estimular a mudança profunda de consciência da população?

Mas o que realmente precisa ser alterado? Somente a integridade dos políticos que estão à frente? Líderes com competência e correção na administração pública seriam o suficiente para alterar o que é preciso? As leis que estão em prática são as melhores possíveis? Aliás, elas estão em prática, mesmo? Há fiscalização séria por parte do Estado? Sabendo que não, o que pode melhorar nesse sentido? De novo: competência e correção? E os cidadãos que fazem as leis? Fazem com que objetivo? Fazem com o objetivo de atender as necessidades da população ou para manter a ordem? Alguns deles também não colocam interesses em jogo?

Hoje em dia, o partido da oposição argumenta contra qualquer proposta do governo. Por quê? Não é pura jogada política? Não há apenas interesses partidários envolvidos na discussão, camuflados pelo “real desejo do povo” ou pela “verdadeira forma de democracia”? Por que a política tem que ser praticada assim, sem impessoalidade, sem profissionalismo? É a população que, em geral, não escolhe os candidatos certos ou esses “candidatos certos” simplesmente não estão à disposição? As pessoas que realmente poderiam ser políticos honestos, profissionais e... políticos se candidatam? Existem pessoas sérias no meio da política? Existem representantes honestos e que trabalham a partir da impessoalidade? Esses podem resolver o que há de errado? Não? Por quê?

O que precisa mudar na cidade, no estado? Segurança pública? Serviço de saúde pública? Transporte coletivo? Trânsito? O cuidado do patrimônio público? O que realmente precisa mudar? Por que será que entra governante, sai governante e algumas coisas simplesmente não melhoram, senão pioram? O que falta pra todos esses problemas estarem “quites”? Por que temos avanços futurísticos em alguns pontos e em outros estamos atrasados? Avanços futurísticos? Que história é essa?

E o desenvolvimento sustentável? É possível? A carta florestal proposta serve? Ela não deve ser discutida? Ela não será discutida? Com o que mais é preciso se preocupar? Não será bom fiscalizar pra ver se o "consenso" está funcionando? Quem vai fiscalizar? Eu? Você? De novo: quem vai fiscalizar? Existem responsáveis só para isso? É o Legislativo? São os próprios interessados? Mais uma vez: quem vai fiscalizar? 

Todos nós temos que praticar política? Como podemos fazê-lo? 



Eu, hein... Só sei que nada sei!

Marvin Bessa

terça-feira, 12 de abril de 2011

Antipop total

O que é política?



Aos onze anos de idade, quando não tinha o que fazer (ou seja, quase sempre) gostava de acessar bate-papos online e ficar teclando (que termo fresco) com umas tais de “Htinha”, “Spidergirl”, “Melaozuda” etc.

Mas certa vez, como já disse que nunca bati muito bem da cabeça, tive uma idéia que julgava genial: me passar por uma dessas “gatas cibernéticas” e marcar um encontro com um cara qualquer. Era uma espécie de trote. Idéia pensada, idéia realizada. No mesmo dia, me registrei como “Shell, a filha da Concha” e me descrevi de forma impublicável neste blog de cunho muito mais sério do que minhas tramóias de criança. Aviso logo aos navegantes: se você tem pouco menos de trinta anos, é moreno e alto e em 2003 marcou um encontro com a “Shell, a filha da Concha” no Amazonas Shopping e levou um “bolo”, parabéns! Um garotinho de onze anos te zoou legal!

Você sabe quem mais pode te fazer de bobo? Os políticos que não praticam política.

“Cada vez me interessa menos pelo jeito sórdido como é praticada. As suas práticas me parecem tão pouco resultadas na necessidade de ter um programa de atendimento a uma vasta população de um país e tanto um programa de beneficiamento próprio, de engrandecimento próprio, de acumulação de poder ou o que mais seja, que eu tenho cada vez menos interesse, o que não significa que eu não acompanhe e que não tenha opiniões também. Mas de um forma geral, me enoja o seu processo do jeito que a gente acompanha.”

Quando Lulu Santos dava essa resposta a Marília Gabriela em outubro do ano passado, ele falava sobre o quê? Primeira opção: sobre a política; segunda opção: sobre política; ou terceira opção: sobre política?

Chega de superficialidade! Vamos aproveitar a onda de posts sobre temas intocáveis como preconceito, religião e materialismo e falar, como de costume, sobre política. Mas não traremos à tona os assuntos mais comentados das últimas semanas. Não falaremos da inflação, da visita de Dilma à China, do relatório final da PF sobre o mensalão, do apelo da OEA acerca da construção de Belo Monte, das polêmicas do novo Código Florestal... Nada disso! Trataremos dos aspectos cruciais da política.  Da essência que está envolvida em todos esses assuntos. Porque muito se vê pessoas reclamando da vida, dizendo que todos os políticos não prestam, a política não serve pra nada e, portanto, o destino da humanidade é terrível e a vida não presta. Meu Deus! Que conclusões apressadas e drásticas! Que drama é esse? A vida é linda, minha gente!

Não pense você que o segredo da vida é ser romântico, utópico. Não! O segredo da vida é ser otimista, é bem diferente. Muitos acham escapismo na religião, por exemplo, acreditando que a vida boa mesmo é a eterna, em um paraíso. Se você é desses, fique à vontade. Não te contesto. A questão simples aqui é que há como viver sem culpa, sem remorso, sem raiva. E neste mesmo mundo, diga-se de passagem. Acredite que há e você mesmo descobrirá. A graça nisso tudo está exatamente em investigar como pode se viver bem mesmo sendo impossível não se entristecer com os tsunamis no Japão, com as guerras civis no norte da África, com o desemprego de muitos europeus e norte-americanos, com a corrupção no nosso país. Enquanto um deputado ladrão manda sua filha estudar na Europa com dinheiro ilícito, uma velhinha está morrendo no corredor de um hospital sem capacidade de atendimento suficiente. Não há como não se revoltar com isso. E se me disser que se estivesse no lugar do deputado agiria diferente, eu acredito. Sério, eu acredito. Alguns diriam: “O quê? ‘Cê ‘tá de brincadeira? Duvido que não mandaria sua filha para a Europa”. E é esse o problema do ser humano: não acreditar nele mesmo. Não estou dizendo que o importante mesmo é agir como idiotas e acreditar em todo mundo. Pelo contrário, devemos desconfiar. É exatamente essa desconfiança que, com o tempo, mostrará quem realmente merece fé e crédito.

Mas você sabe o que é política? A política na maioria das vezes é entendida como a área onde atuam aqueles que podem promover alguma mudança a nível social, porque recebem poderes pra isso. É, portanto, a organização, o gerenciamento do Estado, do governo. Quem diz que política é toda e qualquer prática de seus representantes nos três poderes está absolutamente errado. Infelizmente! Porque somente assim podemos separar a prática política das outras atitudes de deputados, senadores, governadores etc. Quem dera pudéssemos afirmar que todo ato de político fosse ato político. Entende a questão? Se a regra fosse os integrantes do Estado serem éticos, a história seria totalmente inversa e, provavelmente, nem estaria escrevendo este post, tamanha a clareza do que seria a política na prática.


Apenas a nível de contexto, é importante entendermos rapidamente a origem da política. Etimologicamente, política vem de Aristóteles, ao se referir a toda a organização promovida pela administração da polis, ou Cidade-Estado. Logo, em conceito, política é a mesma desde o início, embora não se restringindo mais às cidades gregas, obviamente. É importante entender uma coisa: nem toda liderança pública era uma entidade política. Hebreus tiveram patriarcas, por exemplo, que não administravam nenhum tipo de máquina estatal. Isso, as vezes, não parece tão óbvio, por isso, ressalto. Mas, a política somente teve sua formalização como tal na Grécia Antiga. Esse modelo de poder de influência já era praticado pelos faraós ou pelos reis dos já citados hebreus.

“Que importância isso tem pra minha vida?” Só vai depender de você. A consciência do que seja política e do que seja Estado me parece suficiente para os eleitores não colocarem nos cargos do Executivo e do Legislativo “camaradas” despreparados ou duvidosamente corretos. Não há coerência no voto em Tiririca, com todo o respeito ao deputado e aos seus eleitores. Ele pode até botar pra quebrar no Congresso, mandar ver, mesmo. Levar adiante bons projetos, boas leis etc. Mas não há coerência o voto em um palhaço, não por ele ser palhaço, mas por não mostrar em momento nenhum da campanha a disposição de deixar de ser palhaço e levar a sério a política. O pior de tudo é o argumento de muitos dos que votaram nele. “Já está tudo uma palhaçada, mesmo! Isso é uma espécie de protesto!” Meu amigo, quer protestar? Então, vote direito, pelo amor de Deus! Também, não há coerência no voto ao deputado que claramente “abençoou” juízes para que lhe garantissem a limpeza do nome e o arquivamento de seus processos. É interessante observar que as pessoas que votam nesses cidadãos, muitas das vezes, são as mais rabugentas. “Esse Brasil não vai pra frente, ‘mermo’!” Vai entender!



O ex-presidente do IBAMA foi demitido porque não liberava a licença para a construção de Belo Monte. O deputado Aldo Rebelo praticamente só viu o lado dos agricultores na autoria do novo Código Florestal (ressaltando que boa parte da comissão que discutiu a carta era formada por “coronéis”). Dilma não tem moral pra discutir direitos humanos com Hu Jintao, quando seu governo impõe desumanamente a divisão de tribos indígenas nas margens do rio Xingu, para a construção de Belo Monte. Generalizando, é assim que a política tem sido praticada ultimamente. O que não significa que será praticada assim pra sempre.

É difícil ser otimista? Não. Também só vai depender de você. Lendo os posts dos Índios por Acaso, por exemplo, você pode se aprofundar na conscientização. Mas não de forma catastrófica e escatológica. Você pode fazer isso de maneira positiva. Leia de novo nossos textos, se revolte com a injustiça e acredite na justiça. Acredite que independentemente dos bugs da sistema capitalista, a vida pode ser mais justa. Não basta acreditar, é verdade. Faça o que você acha que pode promover qualquer tipo de mudança. Se você acha que militando poderá alterar algo, milite. Se acha que orando a Deus pode promover mudanças, ore, pelo amor de Deus! Não se prenda às circunstâncias e não se deixe ser feito de bobo.

Marvin Bessa