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sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnaval e a Quarta-Feira de Cinzas

Carnaval

Carnaval era um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque, capital da Finlândia.
O carnaval do Rio de Janeiro está no Guiness Book como o maior carnaval do mundo. Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade do Recife, como o maior bloco de carnaval do mundo.

História e Origem

A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" do grego significa carne e "valles" significa prazeres.
Em geral, o carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-feira gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras), último dia antes da Quaresma. Nos Estados Unidos, o termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.
O carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias na ruas, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as atividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que em quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.
No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.

Cálculo do Dia de Carnaval

Todos os feriados eclesiásticos são calculados em função da data da Páscoa, com exceção do Natal. Como o domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.

Quarta-Feira de Cinzas





A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos ( que não são incluídos na Quaresma) ou quarenta e seis dias contando os domingos. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.


Alguns cristãos tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar a mortalidade da própria mortalidade. Missas são realizadas tradicionalmente nesse dia nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que preside à cerimónia. O padre marca a testa de cada celebrante com cinzas, deixando uma marca que o cristão normalmente deixa em sua testa até ao pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia). No Catolicismo Romano é um dia de jejum e abstinência.
Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após do carnaval. A Igreja Ortodoxa não observa a quarta-feira de cinzas, começando a quaresma já na segunda-feira anterior a ela.

Japa Ramos

terça-feira, 8 de março de 2011

Samba, palhaço! Samba!



Tio Samba: "eu quero você! Hahahaha"

Que tipo de pessoa você é? Das que gostam e curtem o carnaval? Das que gostam, mas não curtem o carnaval? Ou das que nem gostam nem curtem o carnaval?
Calminha! Não pense na resposta ainda.
Que tipo de pessoa você é? Das que gostam e se interessam por política? Das que gostam, mas não se interessam por política? Das que se interessam, mas não gostam de política? Ou das que nem gostam, nem se interessam por política?
Se você não gosta de política, mas curte uma boa farra de carnaval, eu tenho uma boa notícia pra você: a Câmara dos Deputados começou seus trabalhos da maneira mais bizarra possível, com um desfile de carnaval.
Onde estão as alas das tiazinhas baianas, a rainha da bateria, o mestre-sala? Ah! Esse desfile é completamente diferente!
Pra começar, as “comissões de frente” do meio ambiente têm ruralistas no comando, é mole? Não que os ruralistas não devam participar. É óbvio que devem, mas tê-los no comando dessas comissões é pedir para não evoluir na economia sustentável. Pelo bem da coerência, uma Câmara de Negociação vai discutir o Código Florestal. Destoa, não? Mas não tenha pressa, o melhor ainda vem por aí.
Com certeza você já deve ter se irritado ou, no mínimo, se incomodado com algum distúrbio que a política brasileira tenha apresentado. Evidentemente, os recentes casos do mensalão, do mensalinho e os inúmeros casos de “caixa dois” pelo Brasil afora revoltam qualquer um que ainda acredita na democracia. É impossível, por exemplo, não se coçar de agonia depois de ser informado de que Paulo Maluf integrará a comissão de reforma política da Câmara dos Deputados, ou ainda, que João Paulo Cunha presidirá a comissão de constituição e justiça. É a Velha Guarda na passarela! Você não está doido, é isso mesmo! João Paulo Cunha, que responde à Justiça, será “representante do povo” na comissão de constituição e justiça (fiz questão de repetir). Por mais que o deputado petista prove sua inocência (ainda no caso “mensalão”), é imprudente elegê-lo para uma comissão dessas. É algo tão paradoxal quanto “comprar” uma blusa com a imagem do Che Guevara em sua homenagem .
Alegoria Maluf

Pior que a atitude de vários brasileiros de ter votado nesses políticos é a de colocá-los nessas comissões, que nós esperamos, é claro, que tenham resultados positivos. A reforma política é discutida no Congresso há vinte anos, mas até agora não passou de carro alegórico, fantasia. Pouquíssimas das mais de 200 propostas foram aceitas e implantadas. Fatores como os desvios de dinheiro de campanha eleitoral e os chamados partidos de aluguel precisam acabar urgentemente. Enquanto alguns acham que o momento da reforma política já foi, muitos têm a convicção de que não há mais tempo a se perder e é fundamental promovê-la o mais rápido possível. Além de a democracia ser contestável na atual forma de eleição de deputados por proporção nas legendas, ainda tem o fator “corrupção” que, embora seja difícil de acreditar, pode piorar no Brasil.
Mas não pare de dançar! Acredite no país e cante comigo a Lógica do Palhaço Generalizada: "Eu sou braaaasileiro! Brasileiro vooota mal! Então, não voto direeeeito! Minha preocupação maior é o carnaval!"
Marvin Bessa

segunda-feira, 7 de março de 2011

O discurso do gago

O Discurso do Rei, A Rede Social, 127 Horas, Cisne Negro, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai, Bravura Indômita, O Inverno da Alma e Toy Story 3. Esses foram os 10 indicados ao Oscar de melhor filme, mas – obviamente - só um levou a estatueta. O felizardo de 2011 foi o filme O Discurso do Rei.


Nada mais justo que o grande vencedor ser o assunto do post de hoje, não? Primeiramente, eis aqui o trailer: 

A grandeza do filme está em dois simples, mas importantíssimos, pontos: o filme é baseado em uma história real e é um filme de grande superação. Outros dois filmes nomeados ao Oscar também se encaixam nessa descrição: 127 Horas e O Vencedor. Convenhamos, o que é mais difícil: 1) amputar parte do braço porque este foi preso e esmagado por uma rocha; 2) ser constantemente ofuscado pela ex-estrela que é o seu irmão também lutador e, literalmente, lutar pra ascender; 3) ser o rei da Inglaterra quando o país está caminhando para a Segunda Guerra Mundial, mas ser incapaz de dar discursos sem gaguejar.

Confesso que, inicialmente, achei a história um tanto boba, mas o meu tempo é outro e muito diferente do tempo de Rei George VI. No meu tempo, o Brasil teve um representante por 8 anos que falava errado constantemente e todo mundo achava engraçado e fazia piadinha. Quase ninguém via ou tinha problemas com isso, afinal, ele era um representante do povo! Bem, isso não vem ao caso.


Uma sinopse breve e precisa sobre o filme:

Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Além do problema evidente, o filme procura mostrar problemas familiares que parecem fazer com que sua gagueira piore. A gagueira de Albert (George VI) piora quando fala com seu irmão mais velho, por exemplo. Mostra, também, dificuldades que podem parecer menores para nós, mas que deviam ser um tormento para George VI. Ler histórias para suas filhas, por exemplo. Além dos obstáculos a serem superados, o filme também mostra uma história de amizade entre Albert e seu terapeuta, Lionel, e de companheirismo entre ele e sua mulher, mas eu não quero me focar nessa parte.

Vale à pena lembrar que a Inglaterra é parlamentarista, ou seja, a figura do rei é meramente representativa e diplomática, sendo o primeiro-ministro o grande responsável pelo poder executivo. Sendo assim, imaginem o seguinte cenário: a Inglaterra botando o pé na Segunda Guerra Mundial lutando contra a enorme força dos nazistas. Nas horas difíceis, o que mais nos acalma não é alguém de maior experiência falando que as coisas vão se encaminhar e que, no fim, tudo dará certo? Imaginem ouvir isso de um gago que fala com pouca convicção. Reconfortante? Acolhedor? Nem um pouco.


O filme gira em torno da busca de Albert pela sua voz, basicamente. Não somente sua, como do povo. E, em se tratando de um filme de superação de obstáculos, dá pra ter ideia de como é seu desfecho. Previsível ou não, é um filme que vale a ida ao cinema. "Valer a ida ao cinema" é equivalente a "merecer o Oscar"? Não, mas essa é só a minha opinião. 

Como eu disse lá no início, "superação" é uma das palavras que definem o filme e filmes de superação são, quase sempre, muito bons. Principalmente aqueles que servem como um tapa na cara da sociedade que só se preocupa em reclamar - na maior parte do tempo. Não estou dizendo que devemos estacionar na vaga do conformismo para o resto da vida. De forma alguma! Mas é bom sermos lembrados, às vezes, que existiram e existem pessoas em situações piores que as nossas. De vez em quando, não custa ser um pouco agradecido com as coisas e a vida que temos. Poderia ser muito, muito pior.

Curiosidade: Um dos mais importantes discursos do próprio Rei George está disponível na internet. Quem souber inglês e estiver curioso pra ouvir, basta clicar aqui.

Jess Freitas

sábado, 5 de março de 2011

Ponte sobre o Rio Negro



Um investimento de peso para a firmação da região metropolitana de Manaus e uma pequena importância para a economia, a ponte sobre o Rio Negro que liga a cidade a Iranduba está estagnada com suas obras paralisadas. O custo inicial do investimento no governo do então Governador do Estado do Amazonas Eduardo Braga foi de R$ 500 milhões de reais e a estimativa de término e entrega da ponte era para ser em Novembro de 2010, algo que não ocorreu por diversos problemas entre eles problemas orçamentários. 




Com todos esses fatores, a ponte foi orçada agora no início do Governo de Omar Aziz em aproximadamente R$ 1 bilhão de reais, o dobro do que foi previsto no começo das obras. Todos sabemos da importância que a construção tem para o Estado do Amazonas e que os políticos que fizeram essa obra arquitetônica acontecer são visionários e empreendedores. Um deputado do Amazonas chegou a falar que se a ponte custasse R$ 2 bilhões estaria saindo praticamente de graça e completou com a seguinte frase: “nós temos a mania de desvalorizar, de criticar o que é nosso". Outro deputado disse uma grande verdade na seguinte frase: "essa é a obra que eternizará os nomes de Eduardo Braga e Omar Aziz, assim como foi a construção do Teatro Amazonas, que projetou o nome de Eduardo Ribeiro na história."


O que temos que dar ênfase é, na real função da ponte, o que ela vai oferecer ao povo amazonense após o término de sua edificação. Quais produtos escoaremos utilizando o trajeto que será traçado pela ponte e os municípios que ela vai abranger e quais estratégias econômicas podemos utilizar para tirar proveito desse grande bem que está sendo dado?


O que sabemos é que um novo consórcio para a construção das defensas da ponte ganhou a licitação e irá gastar quase R$ 90 milhões de reais para fazer o sistema de proteção dos pilares da ponte. Outra informação dada pelo responsável da Secretaria da Região Metropolitana de Manaus, René Levy Aguiar, foi que  o processo de licitação do sistema de iluminação da ponte Manaus-Iranduba foi aberto nesta quinta-feira, dia 3. O projeto está estimado em aproximadamente R$ 14 milhões e, segundo ele, também terá possibilidade de ter o custeio reduzido. Os trabalhos deverão ter duração de três a quatro meses, começando a partir do tabuleiro da ponte.
Esta é a nossa Ponte para Terabítia, com os seus prós e contras!
                                                                                               
                                                                                                      Japa Ramos


   

quarta-feira, 2 de março de 2011

Manaus x Internet - Capítulo Finalmente | ESPECIAL WAIMIRI ATROARI |



Eles têm internet. Você tem?

Quem nunca pensou que os índios fossem bobos atire a primeira pedra! A passagem da esperada fibra ótica pela reserva indígena Waimiri Atroari, localizada no território roraimense e amazonense custou 7 milhões de reais para empresa de telecomunicações OI, que realizou as obras para dessa implantação. (Lembremos que o total foi R$ 97 milhões).

Caros amigos, quem manda naquela área são eles mesmos e justamente! Os acontecimentos históricos evidenciam injustiças sangrentas. Para quem quer refrescar a memória, vamos recordar um pouco da quase extinção dos Waimiri.

Dentre os vários massacres que aconteceram desde os tempos de expedições até o século passado, podemos identificar sempre os mesmos objetivos do explorador, com olho gordo nas que eram para ser nossas riquezas: recursos naturais. Isso é a mesma coisa que matéria prima que no final das contas é dinheiro que faz o capitalismo funcionar. Os índios, agentes da passiva, especialmente os Waimiri, são conhecidos como o ditado “cada macaco no seu galho”, isso explica-se pelo simples fato de que o contato poderia corromper o sistema cultural deles. E corrompeu. Entenda:

“Na década de 1960 foram iniciados, por parte do Serviço de Proteção ao Índio - SPI e em seguida pela Fundação Nacional do Índio - órgãos indigenistas oficiais -, os trabalhos da Frente de Atração e Contato dos Waimiri Atroari, desencadeando-se um processo de desagregação cultural, através do qual sua população foi exposta ao implacável expansionismo social e econômico da sociedade brasileira, impulsionado pelo ufanismo que se criou durante o chamado "milagre econômico", alardeado pelo então governo militar brasileiro como uma era em que as políticas públicas deviam se voltar para o progresso e a integração nacional.

A intensificação do contato da sociedade nacional com os Waimiri Atroari acarretou-lhes, por essa época, conseqüências dramáticas, em termos de depopulação provocada por choques armados e surtos epidêmicos de doenças exógenas que debilitaram toda sua população, a ponto de as pessoas em idade produtiva não poderem mais caçar, pescar nem cultivar roças, fato que acabou por redundar num grave estado de inanição e desagregação social em várias de suas aldeias.

Três grandes empreendimentos estiveram na base desse processo: a rodovia BR 174, estabelecida, dentro da terra indígena, entre 1974 a 1977; a instalação do Projeto Pitinga (do grupo Paranapanema), de extração de cassiterita, como resultado de chicanas jurídico-administrativas, tramadas nas esferas do governo federal, que culminaram no esbulho da terra dos Waimiri Atroari em 526 mil ha, e na abertura, no interior dela, de uma estrada ilegal para o escoamento do minério extraído.

Por fim, houve a construção da hidrelétrica de Balbina (concluída em 1987), único empreendimento que teve a preocupação e o compromisso ético de procurar minimizar os impactos sócioambientais negativos que poderiam afetar a comunidade Waimiri Atroari, em decorrência não só do reservatório de 30 mil ha construído na terra indígena, como também de todo o contexto social, político e econômico da região.

Nesse sentido, a primeira providência adotada foi a demarcação (em 1987), através de financiamento pela Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - ELETRONORTE, de uma terra com superfície de 2.585.911 ha, de conformidade com a proposta delimitatória apresentada por estudos antropológicos realizados por grupo técnico constituído pela Fundação Nacional do Índio - FUNAI.

A segunda foi a implantação do Programa Waimiri Atroari, em 1988, com ações múltiplas nas áreas de administração, saúde, educação, meio ambiente, apoio à produção, documentação e memória. O objetivo pretendido foi o de que os Waimiri Atroari pudessem preservar dinamicamente sua autonomia cultural, a partir de uma inserção social em bases equilibradas, no contexto da sociedade nacional - o que, infelizmente, não ocorre com a maioria dos povos indígenas no Brasil.” – WAIMIRIATROARI.org.br*

Não leia como se você já soubesse ou  como se invadisse sua casa fosse a coisa mais normal do mundo. Bem, o fato é que os Waimiri diante de tanta luta e desgraça, merecem um respeito especial. Eles estão perto da sociedade, mas valorizam sua cultura. Levando isso em conta, é mais que justo pensar em algumas exigências feitas pelos índios ao ver mais uma vez o homem urbano entrando na sua casa pedindo permissão para o que se chama de progresso.

Se você gosta das últimas cenas de um filme que mostra a volta por cima do mocinho prejudicado, confira os valores gastos com o provável obstáculo para o progresso:

1 - Segundo o site Valor Econômico, o governador do Amazonas, Omar Aziz, conta que só para fazer a BR-364, de Boa Vista a Rio Branco, tivemos que pagar a tribos indígenas R$ 15 milhões para que elas autorizassem a gente a passar.

2 - Segundo o Jornal A Crítica, Os índios possuirão Internet Banda Larga, 48 pontos de telefone, sistema de câmeras de monitoramento nas aldeias, sistema de rádio para carro, entre outras exigências. Dos 900 quilômetros da obra, 126 são da terra indígena.

Ainda de acordo com o informado pelo jornal A Crítica, para a obra, foram necessários licenciamentos ambientais federais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Além disso, a OI precisou da licença de seis prefeituras dos municípios que interceptam o trecho do cabo de fibra ótica: Boa Vista, Rorainópolis, Caracaraí, Mucajaí, Iracema, Presidente Figueiredo e Manaus.

O panorama foi apresentado para mostrar de forma clara que o tempo muda as coisas, e que o direito que os índios têm, eles põem em prática. Aos desenvolvimentistas em plantão, temos um patrimônio a zelar, irmãos para cuidar e uma história para contar. Repensem nas estradas e no futuro do Estado do Amazonas, por enquanto o mais conservador e preservador em questões ambientais. 

Agora, que você já conhece um pouco da história dessa reserva indígena tanto quanto o último dia da prova do líder do BBB, se sinta um pouco mais regionalista e mergulhe com a gente nos próximos assuntos regionais que envolvem história e cultura amazonense.


* Conteúdo retirado do site http://www.waimiriatroari.org.br/

Filme da semana - Avatar.

* Toda semana indicarei filmes relacionados aos meus posts.


Kako Menezes